Seleção de trabalhos e experiências soltas nos campos do desenho, da pintura e da gravura.
► Statement
Creio que estou finalmente a aceitar a ideia de que o meu trabalho se debruça sobre as pequenas-grandes obsessões que me ocupam a cabeça e os dias. Se calhar não tem sentido, aqui, procurar criar conceitos capazes de mudar o mundo; racionalizar a obra antes, durante e depois; focar no racional para, assim, alimentar o ego.
Não sou mais do que as minhas raízes, relações, ansiedades. E está tudo bem.
A linha condutora do trabalho é uma reflexão sobre o sistema socioeconómico que construímos ao longo das últimas décadas; e as relações que estabelecemos, nesse contexto, com os nossos mundos interiores e memórias, uns com os outros, e com a natureza. As personagens deparam-se com lugares de solidão (Ennui), anseio (Sombra), desconforto e ruptura (Sem título (azul)), identidade e autoquestionamento (Amparo).
A prática está enraizada numa utilização contínua do diário gráfico, que transporto para todo o lado, e que me permite registar momentos do dia – que por vezes evoluem para telas ou postais.
Está também sedimentada na minha própria experiência de trabalho no late-stage capitalism. À vontade de desenvolver uma prática artística independente soma-se a realidade do trabalho corporativo, pelo que sinto que estou sempre a saltar entre dois mundos – uma tensão que se transporta para a minha prática.
Numa realidade cada vez mais marcada pela automação e alienação (olá, AI slop), seremos capazes de encontrar o caminho de volta à natureza, à empatia, à comunidade? Ou estamos condenados a tornar-nos indiferentes às cores do(s) mundo(s)?
Desenho
Pintura
Gravura e impressão